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sexta-feira, 3 de abril de 2015

domingo, 8 de julho de 2012

sábado, 8 de janeiro de 2011

















Sabe, meu nome é Marilda, mas meu sobrenome é culpa. Estou sempre me cobrando por tudo que podia ter feito, ou podia não ter feito, ou podia fazer melhor.

Como amiga, como filha, como irmã, como professora, isso é um problema.

Tantos anos com essas culpas enraízadas. Tanta coisa eu vejo e não consigo resolver, não consigo curar.

Tanta coisa eu queria melhorar. Tanta coisa eu preciso melhorar, para mim e para as pessoas que amo. Por mim e pelas pessoas que amo.

Ah, o tempo...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Amigos



meus amigos / quando me dão a mão / sempre deixam outra coisa

presença / olhar

lembrança / calor

meus amigos / quando me dão / deixam na minha / a sua mão.

Paulo Leminski


Amizade é quando você
não faz questão de você
e se empresta aos outros.
(Adriana Falcão)


SEMPRE

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação.
Amigo é quem te ama.
É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é para sempre, mesmo que o sempre não exista











Lista
Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver ...
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?
(Oswaldo Montenegro)


A vida ideal consiste em ter bons amigos, bons livros e uma consciência sonolenta.
Mark Twain


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Morais

verdade

"Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas."
A.L.Antunes

















Aquilo que condenas
Não condenas.

Tu és o paradoxo
De ti próprio,
A luta da tua luta,
A compreensão do incompreensível.

Dizes o que não pensas.
E não pensas o que pensas.

Amas como dizes não amar...
Sentes como dizes não sentir...

Não és poeta mas és fingidor.
Só não sabes que és ambas
As coisas
E que em ti nascem e morrem
Infinitos;
que em ti se consagram
Mundos e vontades,
Que és nascente de rio
E foz ao mesmo tempo
Só não sabes que sabes
(ou saberás que sabes?)

João Mattos e Silva



EXISTE A SUA VERDADE, A MINHA VERDADE, A VERDADE MAL CONTADA, A VERDADE BEM CONTATDA, A VERDADE VERDADEIRA, A VERDADE MACHUCADA, QUE SUAVIZA, QUE ACOLHE, QUE AFASTA, PRA QUE MENTIR?


A mulher só ama quando admira;
para amar um homem precisa se sentir inferior a ele.
[ Júlio Dantas ]




Tinha de ser, eu, não podia mais.
Continuar seria uma loucura, uma vergonha ou uma estupidez.
Cansei-me de ser boa, de ser amiga, e esta foi, afinal, a derradeira vez.
A derradeira, sim, que perdoei o mal que construí pelas minhas próprias mãos.
Ouvindo em cada passo num insulto ou numa gentileza disfarçada em cínica e venal contradição.
Satisfazer caprichos e apetites, a troco de uma reles ilusão.
Ser parvo, não ouvir, não compreender, sofrer, chorar, fingir não dar por nada e regressar ainda mais destruída e desprezivel.
Só quando a noite dá lugar à madrugada e a gente raciocina mas não vê... numa palavra: Viver assim, por quê?





"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé...
Sou
forte, / fraca, / generosa, / egoísta, / angustiada, / perigosa, / infantil, / astuta, / aflita, / serena, / indecorosa, / inconstante, / persistente, / sensata e corajosa,
como é toda mulher, / poderia ter respondido, / mas não lhe dei essa colher.
(Marta Medeiros)



Por tudo

Por tudo o que me deste / inquietação cuidado / um pouco de ternura / é certo mas tão pouca / Noites de insónia / Pelas ruas como louca / Obrigada, obrigada / Por aquela tão doce / e tão breve ilusão / Embora nunca mais / Depois de que a vi desfeita / Eu volte a ser quem fui / Sem ironia aceita / A minha gratidão / Que bem que me faz agora / o mal que me fizeste / Mais forte e mais serena / E livre e descuidada / Sem ironia amor obrigada / Obrigada por tudo o que me deste / Por aquela tão doce / e tão breve ilusão / Embora nunca mais / Depois de que a vi desfeita / Eu volte a ser quem fui / Sem ironia aceita / A minha gratidão
F Espanca


Deixa-me desistir de ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que mão me pertencia.

Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.

Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.

Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…

Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.



" Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura." Carlos Drummond Andrade

domingo, 13 de junho de 2010


O que me cativa tanto em ti?
O que me faz desejar-te com tanta intensidade?
O que faz o meu coração pular sempre que escuto tua voz?
O que faz meus olhos brilharem sempre que te vejo?
O que faz meu corpo tremer sempre que estou perto de ti?
O que faz minha boca arder por teus beijos?
O que faz meu corpo derreter sempre que me roubas um abraço?
Não acho respostas...
Vinícius de Moraes


Livros e flores

Teus olhos são meus livros.

Que livro há aí melhor,

Em que melhor se leia

A página do amor?


Flores me são teus lábios.

Onde há mais bela flor,

Em que melhor se beba

O bálsamo do amor?
Machado de Assis


"Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo
ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
pois amor é feito espelho:
tem que ter reflexo"!
(Pablo Neruda)

acordei bemol

tudo estava sustenido

sol fazia

só não fazia sentido

contrariedades


Eu hoje estou cruel, frenéticoa, exigente
Nem posso tolerar os livros mais bizarros
Incrível!

Doi-me a cabeça
Abafo em desesperos mudos
Tanta depravação nos usos e nos costumes

Amo, insensatamente
Os ácidos, os gumes e os angulos agudos

Cesário verde


Às vezes sinto-me assim: "As vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo, para que possamos aprender a viver de cabeça para cima"

sábado, 29 de maio de 2010

Solidão



Se houvesse um vento
um sopro
ou uma brisa
que do céu viesse e me descabelasse
que refrescasse o tempo
e esfriasse a vida
que afastasse a dor
e me acalmasse o anseio.

Se houvesse um vento
que me trouxesse as novas
e que fossem boas as novas que viessem
que me dissessem tudo
o me despissem a alma
e revelassem tudo
e me deixassem calma,
Então
esse vento me traria
todos os meus sonhos de volta
e numa brisa me diria
segredos e poesias
e num sopro eu iria
do silencio à sinfonia.

Mas só se houvesse um vento.


Foi Bom Estar Só. Adoro ficar sozinha.
Claro que a solidão de que falo é a solidão opcional e momentânea... se bem que mesmo quando não é eu ainda gosto dela.

Ter uma cama só pra mim, lavar a louça na hora que eu quiser "e se" eu quiser, não ter ninguém vigiando o que faço e nem me pedindo coisas o tempo todo, não ter que servir ninguém, poder ficar no meu computador o tempo que eu quiser, não precisar me arrumar...enfim, a solidão é cheia de vantagens para mim.
Quando eu era menina e ficava sozinha em casa, lembro-me do prazer que tinha em poder simplesmente não ter que falar nada.
É, eu amo o silencio, assim como também a solidão.
Não que eu não ame as pessoas, mas o silencio me acalma e na maioria das vezes as pessoas me irritam.

Nós, seres humanos, ainda que vivamos em grupo temos uma essência totalmente só.
Somos únicos, nascemos sozinhos, nosso fim é solitário, e ninguém pode viver por nós, ou seja, somos verdadeiramente sós...sem falar em nosso egoísmo que nos faz mais sós ainda.
Então, eu e meu egoísmo nos damos muito bem na solidão e no silêncio.
E daí ???se eu ficar e não quiser sair
se eu chorar e não quiser sorrir
se eu for e você não puder vir...
E daí? se um terremoto me engolir, se a maré não subir
e a mãe não quiser mais parir...
E daí? se me pedir e eu não quiser dar, se eu respirar e não tiver ar
se eu pensar e não quiser falar...
E daí ?
se o mundo tiver um troço
se eu gritar que já não posso
se é na dor que eu me enrosco...
se a loucura se tornar brandura
se o amor despedaçar a flor
se a vida já não for tão dura e eu,...seja lá quem for...
E daí ? E daí ? E daí ????


Abortaram minha doçura
amputaram minha alegria
extirparam minha brandura
e inflamaram minha ira
O que me resta é o que faço
é o grito alto,
é o nó no laço
é a arma apontada e engatilhada
fatalmente fria
e que friamente mata
É a vida roubada,
invadida e violentada,
é vida não vivida,
mal parida e mal amada
É a rua , a ponte e a lua
é o som, o medo e a morte
é o sol quente que me queima a esperança
é a noite escura que apaga a lembrança
É o nada e o agora,
um pouco de ontem
e a saudade de outrora,
sou eu mesmo, sim senhor!,
a fome, o ódio, a solidão e a dor
debaixo da ponte,
e a espera do pão duvidando do amor !!

"Que a minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir, como se estivesse plena de tudo".

Clarice Lispector

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