sábado, 5 de fevereiro de 2011

Das duas, uma

Amanhã, domingo, das duas, uma: ou você assiste a um jogo ou a um filme qualquer.
Se você vê o filme, tudo bem. Mas se vê o jogo, das duas, uma: ou você torce para um dos times ou fica indiferente.
Se você fica indiferente, tudo bem. Mas se torce, das duas, uma: ou você pega uma almofada para socar ou rói as unhas.
Se você rói as unhas, tudo bem. Mas se você pega uma almofada para socar, das duas, uma: ou é uma almofada comum, vagabunda, ou é uma almofada de estimação, daquelas pacientemente bordadas por sua sogra dois dias antes de morrer.
Se é uma almofada comum, tudo bem. Mas se é uma almofada especial, das duas, uma: ou você tenta consertá-la no intervalo ou conta para sua mulher que transformou em farrapo aquela lembrança especial.
Se você tem habilidades de crochê e conserta o estrago, tudo bem. Mas se você vai contar tudo para sua mulher, das duas, uma: ou ela é muito mansa ou é uma fera.
Se sua mulher é mansa, tudo bem. Mas se ela for uma fera, das duas, uma: ou você engole em seco todos os xingamentos que vai ouvir ou parte de uma vez para a ignorância.
Se você engole em seco, tudo bem. Mas se parte para a ignorância, das duas, uma: ou você bate ou você apanha.
Se você apanha, tudo bem. Mas se você bate, das duas, uma: ou ela foge e nunca mais volta ou ela chama a polícia.
Se ela foge e nunca mais volta, tudo bem. Mas se chama a polícia, das duas, uma: ou eles aceitam suborno ou te levam para a delegacia.
Se eles aceitam suborno, tudo bem. Mas se te levam para a delegacia, das duas, uma: ou você vai para uma cela individual ou para uma coletiva.
Se você vai para a solitária, tudo bem. Mas se te põem numa coletiva, das duas, uma: ou os companheiros de cela te ignoram ou resolvem lhe dar uma surra para você aprender que não deve bater em mulher nem com uma flor, ainda mais com um controle remoto.
Se eles te ignoram, tudo bem. Mas se eles te acertam, das duas, uma: ou você morre ou vai para um hospital público.
Se você morre, tudo bem. Mas se vai para um hospital público, das duas, uma: ou você é operado por engano e trocam o seu sexo ou fica largado no corredor sem ser atendido.
Se trocarem o seu sexo e você tiver que mudar o nome para Maricleide, tudo bem. Se te largarem no corredor, das duas, uma: ou tem uma televisão ali por perto, ou não.
Se não houver, tudo bem. Se houver, das duas, uma: ou você assiste a um jogo ou a um filme qualquer.
Dessa vez, assista ao filme.
PS: Quando se tem uma crônica para escrever, das duas, uma: ou você tem uma ideia ou copia a ideia de alguém. Se você tem a tal ideia, tudo bem. Mas se copia, das duas, uma: ou você dá uma de espertinho e diz que ela foi sua ou cita a fonte inspiradora. Se você resolve dar uma de espertinho, tudo bem. Se resolve dizer o nome do plagiado, das duas, uma: ou diz que é o Aparício Torelli ou diz que é o Barão de Itararé, que os dois são um.
José Roberto Torero

O texto abaixo é um exemplo de amplo vocabulário. Leia-o com os educandos e posteriormente oriente-os a fazerem seu texto nesse mesmo estilo (se necessário utilize um dicionário).


Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais.
Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.
Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora..
Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! Pensava Pedro Paulo...
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
- Paris! Paris!Proferiu Pedro Paulo.
- Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província.
Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai.
Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal.
Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:
- Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior.
Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.Porque pintas porcarias?
Papai proferiu:- Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro!
Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.
Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos.
Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios.
Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...
"Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar...
Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei".

Um comentário:

Miss. Junior e Miss.Thatty disse...
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